* mãe

Tiro o meu chapéu às mães 24h sobre 24h… é duro. muito duro.

É duro lidar com a infatigável necessidade de atenção, de inovação, de actividades, de ideias e energia.

Tiro o meu chapéu… sou uma fraquinha ao lado delas. Tenho ajuda, tenho apoio, tenho rede. Não sou má mãe, mas não sou mãe de livros de histórias. Não sou a mãe perfeita, nem pretendo ser. Sou a mãe possível, sou a mãe que sou. Hei-de passar-lhe a estrutura, o carácter. Hei-de passar-lhe as bases boas. Nessas também estão as frustações, as incompreensões, as injustiças do momento, o cansaço que por vezes teima em vencer.

O cansaço, como o sono, pode ser combatido, mas raramente o vencemos.

Ter a esperança, no fundo da caixa, que isso o ajude a construir-se como uma pessoa forte, estruturada e feliz. Uma pessoa que saiba lidar com as injustiças, as frustações, os nãos, com a certeza que eu, se puder, estarei cá para lhe dar quer a reprimenda como o colo.

Aprendi a olhar assim, sem o saber, através da minha mãe. Uma mulher forte, maior que a vida, que enche um espaço por vezes ocupando todo o espaço que há. Não fui fácil, sei que não fui, mas aprendi muito sem o saber. Aprendi a amar dando espaço, aprendi a amar incondicionalmente, aprendi a amar mesmo quando parece que o amor é um sonho que como todos os sonhos, por vezes se esfuma e esvai por entre os dedos, sem o conseguirmos agarrar, mesmo que nos tentemos prender com a última réstia de energia que existe em nós.

Tenho um filho do corpo e tenho um filho do coração. Um mais perto o outro mais distante. Ambos importantes. Ambos presenças na minha vida e alma, cheios de afectos das pessoas que os rodeiam.

Gosto de os ver crescer, tornarem-se pessoas, tornarem-se grandes, continuando sempre a ser pequeninos e ao mesmo tempo enormes dentro de mim.

*deambulações lamechas

a roda

As coisas mudam. A vida muda.

Frases que ditas receberam tantas vezes um olhar de desprezo e incredulidade. Frases que ditas por vezes me encheram de raiva e frustação.

Mas sim, as coisas mudam, a vida muda. É feita de ondas, que num crescendo nos trazem ritmos diferentes, respirações diferentes.

A reconstrução só pode ser feita a partir de destruição. Mas muitas vezes o que vem a seguir, e não logo a seguir, não na próxima esquina, pode ser muito melhor do que veio antes.

As coisas mudam, sim. A vida muda, sim. e tantas vezes para algo completamente surpreendente e melhor.

*Pensamentos de um fim de ano de 2014 completamente surpreendente e transformador.